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Portal de Astronomia - CICC
Profecia Maia, Nibiru e os limites do Irracional PDF Imprimir
Escrito por Prof. Dr. Alexandre C. D. Neves   
Qua, 19 de Dezembro de 2012 15:38

Profecia Maia, Nibiru e os limites do irracional

               Nos últimos dois anos, a rede mundial de computadores vem divulgando, de maneira exacerbada, notícias sobre a profecia maia e a destruição do planeta Terra para dezembro de 2012, além da aproximação de um suposto planeta X (as vezes denominado Nibiru), que no final deste ano se chocará com o nosso planeta.

               Vale ressaltar que, do ponto de vista da ciência, esses assuntos não passam de crendices misturadas as visões cosmológicas dos povos passados acrescidas de teorias conspiratórias. A ciência entende estas divulgações como fantasiosas, alarmistas e pseudocientíficas.

               Com relação a profecia maia, esta história se propagou após a publicação do livro Fator Maia de José Arguelles, em 1984. Este autor mistura calendário maia com cosmologia maia e oráculo chinês, interpretando que os maias sabiam sobre o futuro do planeta Terra e sua destruição em 2012. Segundo diversos especialistas em antropologia e arqueoastronomia mesoamericana, os maias nunca fizeram referências em textos ou arte sobre a destruição do planeta Terra e o fim do mundo, logo, profecia maia não existe! O que existe é um calendário de longa duração (5125 anos) que os maias construíram, cujo início é 11 de agosto de 3114 a.C e o término em 21 de dezembro de 2012, com um erro de um dia a mais ou a menos. Como qualquer calendário é cíclico, isto é, tem início e tem fim, o calendário maia se encerra agora, mas isto não representa o fim do mundo, apenas o fim do calendário. No dia seguinte o calendário maia se iniciará novamente tal qual o calendário gregoriano ocidental que se encerra no dia 31 de dezembro e no dia seguinte, 1 de janeiro, inicia novamente.

               Com relação a Nibiru, este termo aparece na mitologia mesopotâmica, nas tábuas de argila de Enuma Elish, o mito da criação babilônica. Nibiru está relacionado a um ponto do céu reconhecido como o deus Marduk, segundo a mitologia suméria.
A partir dos anos 60, Erich Von Daniken escreveu o best seller ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS?. Este livro expõe a tese de que os deuses da antiguidade eram seres extraterrestres que vinham nos visitar. Nos anos 80, o autor soviético Zecharia Sitchin defendeu também a idéia de deuses astronautas e escreveu livros sobre estes deuses e a criação da humanidade. Sitchin argumenta (sem qualquer embasamento científico) que os sumérios foram criados pelos anuakkis, uma antiga raça extraterrestre do planeta Nibiru, planeta este pertencente ao nosso sistema solar que passa próximo da Terra a cada 3600 anos. Ainda segundo Sitchin, havia um planeta, entre as órbitas de Marte e Júpiter, chamado Tiamat, que teria se chocado com Nibiru em uma de suas passagens pelo sistema solar interior, formando o cinturão de asteróides e o planeta Terra, que teria sido arremessado para uma órbita mais interna. Sitchin afirma que há 450.000 anos, os habitantes de Nibiru, que já eram tecnologicamente avançados, vieram para Terra para explorar minérios e, por meio de engenharia genética, teriam construído os Homo sapiens, isto é, teriam nos construídos.
               Esta tese de deuses astronautas e habitantes de Nibiru, bem como a própria existência de Nibiru não se sustenta do ponto de vista científico. Apesar disto, surgiram movimentos esotéricos e religiosos que pregam a existência de Nibiru e a sua volta para o ano de 2012. Essas seitas e crenças são difundidas por pessoas que, muitas vezes, não têm qualquer conhecimento científico de astronomia, arqueologia e assuntos correlatos. Essas pessoas usam de crenças e teorias conspiratórias que colocam a NASA - Agência Espacial Norte-americana -  como principal órgão detetor do conhecimento de Nibiru e de seres extraterrestres. Pessoas como Claude Vorilhon, David Icke, Alex Colier, entre outros, que pregam a volta de Nibiru e as teorias conspiratórias, baseando-se nos livros de Sitchin, não merecem créditos da população uma vez que não há qualquer fundamento científico no que dizem.  Assim, Nibiru não existe. São apenas boatos da internet baseados nas teorias citadas acima. Se não existe, logo não podemos vê-lo. Caso Nibiru fosse real e também se aproximasse da Terra em 2012, qualquer telescópio pequeno já o teria encontrado. Na internet, há fotos do suposto Nibiru feitas logo após o pôr do sol, com máquinas fotográficas sem auxílios de telescópios. Se assim for, Nibiru estaria tão brilhante quanto o planeta Júpiter, que está visível no céu noturno. As fotos mostradas na internet ou são erros de interpretação ou fraudes.

               A ciência trabalha com observação e experimentação, reprodutibilidade de dados experimentais e, sobre isso, desenvolve suas teorias. A comunidade científica mundial é completamente cética em relação a deuses astronautas, profecia maia, Nibiru e similares. Estes assuntos representam um analfabetismo científico por parte da população mundial que só pode ser suplantado com uma educação de qualidade. Esperamos que 2013 seja, sim, um ano de novas consciências, como pregam grupos esotéricos diversos, mas consciências de políticas públicas voltadas a educação e a pesquisa científica, para que toda população tenha o direito de saber como a ciência funciona, não se perdendo nos limites do irracional.

 

Prof.Dr.Alexandre C.D.Neves, físico e astrônomo, coordenador do Centro Integrado de Ciência e Cultura-CICC